Afinal: onde foi inventado o vinho?
- janainagarciapro
- 22 de jan.
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Estudos anteriores indicavam que a domesticação das vinhas dataria de cerca de 11 mil anos, nas regiões do Cáucaso e da Ásia Ocidental. No entanto, a escritora e historiadora do vinho Laure Gasparotto, em seu livro Quand l’Orient inventait le vin (“Quando o Oriente inventou o vinho”), publicado em 2025, propõe a tese de que o vinho teria provavelmente sido inventado em uma região que corresponde ao atual Irã. A sua tese se fundamenta em uma pesquisa divulgada em 2023, na qual o genoma de centenas de variedades de vinhas foi analisado.
A autora reconhece a dificuldade de se estabelecer uma data precisa para a invenção dessa bebida, que em muitas culturas era considerada preciosa e até sagrada. Uma das datas mais conhecidas, em termos de registros de quando já se bebia vinho, citada por Gasparotto — em sua participação no podcast Le cours de l’histoire — é o 7 de abril do ano 30. Essa data é relatada na Bíblia como o momento da Santa Ceia, em que Cristo teria compartilhado pão e vinho com seus apóstolos, apresentados como símbolos de seu corpo e de seu sangue. Esse episódio confere ao vinho uma dimensão simbólica de sacralidade: em muitas tradições cristãs, incluindo protestantes e ortodoxas, o vinho é consagrado e associado à nova aliança entre Deus e a humanidade.
A linguística também oferece indícios sobre a antiguidade do vinho. A palavra “vinho”, na maioria das línguas europeias, provém do latim vinum, que por sua vez tem origem no grego oinos. Essa ascendência linguística indica não apenas a longa história da bebida, mas também sua ampla circulação cultural entre povos do Mediterrâneo e da Europa desde a Antiguidade. O vinho Shiraz, por exemplo, teria uma possível ligação etimológica com a cidade de Chiraz, no Irã.
Já no período da Idade Média, Laure Gasparotto indica que a região francesa da Borgonha teria conquistado cerca de mil anos de avanço tecnológico na produção de vinho em comparação com outras regiões do mundo. A partir desse processo histórico, a França tornou-se um dos países mais conhecidos por sua produção vinícola. Isso não impediu, contudo, que outros países — tanto com tradições mais antigas quanto com tradições mais recentes — ganhassem reconhecimento internacional pela qualidade de seus vinhos, como a Geórgia, a África do Sul e o Chile, entre outros.
Observando uma história tão rica, milenária e complexa, o que parece certo é que o desenvolvimento do vinho não foi resultado de uma única invenção isolada, mas sim de um processo coletivo, fruto do contato entre diferentes povos que, ao longo do tempo, contribuíram com testes, técnicas e aperfeiçoamentos na viticultura, bem como nos processos de preparação, envelhecimento, estocagem e distribuição da bebida.


