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Mudanças climáticas: história, avanços e por que é tão difícil agir

  • janainagarciapro
  • há 4 dias
  • 2 min de leitura

As conferências internacionais sobre meio ambiente e mudanças climáticas começaram a ganhar forma a partir da segunda metade do século XX, quando os impactos das atividades humanas sobre o planeta passaram a ser discutidos no plano diplomático. A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo em 1972, marcou o primeiro grande encontro internacional dedicado à temática ambiental.

Esse processo se aprofundou com a Cúpula da Terra no Rio de Janeiro, em 1992 (Eco-92), que deu origem à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Desde então, as Conferências das Partes (COPs) — como a COP21, em Paris, em 2015, que resultou no Acordo de Paris — tornaram-se espaços centrais de negociação para limitar o aquecimento global.


Paralelamente a essas negociações, diversos países adotaram medidas concretas de redução da poluição e do impacto ambiental. Um exemplo frequentemente citado é o de Ruanda, que desde 2008 proíbe a fabricação, importação e uso de sacolas plásticas descartáveis, ampliando posteriormente essa legislação para outros produtos plásticos de uso único. De forma mais ampla, dezenas de países já implementaram restrições, proibições ou taxas sobre plásticos descartáveis. No setor de transportes, regulamentos sobre emissões de CO por veículos tornaram-se instrumentos centrais da política climática, com metas progressivas para reduzir a poluição e estimular a transição para veículos menos poluentes ou elétricos, especialmente na União Europeia. Ao mesmo tempo, a indústria da reciclagem se expandiu em várias regiões do mundo, impulsionada por legislações ambientais, políticas de economia circular e sistemas de logística reversa, ainda que seus resultados permaneçam limitados diante da escala global de produção de resíduos.


Apesar desses avanços, os esforços atuais estão longe de ser suficientes para impedir aumentos de temperatura capazes de desencadear consequências ambientais graves. A dependência persistente de combustíveis fósseis, o desmatamento e a dificuldade de implementar compromissos realmente ambiciosos mostram que a resposta global ainda não corresponde à urgência apontada pela ciência climática.


No episódio de 21 de janeiro do podcast Question du soir (France Culture), a pesquisadora em ciências cognitivas Mélusine Boon-Falleur analisa alguns dos fatores psicológicos que dificultam a ação diante das mudanças climáticas. Entre eles, está a tendência de tratar a questão como um problema futuro: ao falar de projeções para 2030 ou 2050, nosso cérebro tende a perceber a crise climática como menos urgente do que problemas considerados imediatos, como guerras, desemprego ou crises econômicas. Soma-se a isso a sensação de impotência diante da magnitude do desafio e dos interesses econômicos e políticos envolvidos, bem como a percepção de que ações individuais isoladas têm impacto limitado, exigindo o engajamento da maioria para produzir efeitos significativos.


Outro obstáculo importante, embora não abordado diretamente no podcast, é a circulação de discursos que buscam descredibilizar a ciência climática e preservar os atuais modos de produção e consumo. Mesmo diante de evidências como o derretimento acelerado das geleiras polares ou o aumento de eventos climáticos extremos, esses discursos contribuem para a inação. Juntos, fatores políticos, econômicos, cognitivos e comunicacionais ajudam a explicar por que, apesar de décadas de alertas e negociações internacionais, a resposta coletiva às mudanças climáticas segue aquém do necessário.

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